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12/11/2009
Parecis vão gerir posto de pedágio no Noroeste de MT
 

O Governo de Mato Grosso irá construir postos de pedágio para que índios da etnia pareci cobrem pela passagem de carros, caminhões e motos em um trecho de 52 quilômetros da rodovia estadual MT-235, que liga os municípios de Sapezal e Campo Novo do Parecis (450 km a Noroeste de Cuiabá). Os próprios índios farão a cobrança.

A medida faz parte de acordo firmado com Funai e Ibama para permitir o asfaltamento da chamada "Rodovia do Índio", que atravessa a área da etnia e foi inaugurada no sábado pelo governador Blairo Maggi (PR).

Aprovada pelos plantadores de soja --Sapezal é um dos maiores produtores de grãos do país e sofria com os atoleiros--, a obra também recebeu o aval das duas principais associações que representam os parecis, Halitinã e Waimaré.

A institucionalização da cobrança, que já vinha sendo feita informalmente pelos índios há mais de uma década, poderá ampliar a arrecadação média atual, que segundo a Funai chega hoje a R$ 240 mil mensais --cerca de R$ 8.000 por dia.

A estrada foi aberta em 1984, com um acordo entre uma associação de produtores rurais da região e líderes parecis. Durante o período de chuvas, ficava praticamente intransitável.

Em 2002, as duas associações que representam os índios chegaram a entrar com uma ação judicial para impedir o asfaltamento de uma rota alternativa até Sapezal, que contornava a área dos parecis.

"Há muito tempo os índios buscavam esse entendimento de permitir o asfalto e manter o pedágio", disse o administrador da Funai na região, Carlos Márcio Vieira Barros.

Carros de até quatro toneladas pagarão R$ 10 pela travessia. Acima desse peso, a taxa será de R$ 25. Condutores de motos pagarão R$ 5. O posto deve ser inaugurado em janeiro.

Atualmente, o valor do pedágio "informal" varia de acordo com a disposição dos índios. O dinheiro vai todo para as associações. Com a inauguração do pedágio oficial, o dinheiro continuará sendo administrado pelos índios, mas a Funai vai acompanhar o processo.

Na inauguração, Blairo e sua comitiva usavam camisetas com a foto do cacique João Arrezoamae, o "João Garimpeiro", e uma frase atribuída a ele: "Branco qué [sic] estrada, índio qué estrada. Quando começa?".

Na solenidade, o cacique disse que os índios também sofriam com a precariedade da estrada. Muitas crianças da etnia, disse, estudam na cidade de Sapezal e por vezes ficavam presas em atoleiros a caminho da escola. Atendimentos médicos de urgência também ficavam prejudicados, afirmou ele.

A nova rodovia foi batizada com o nome do cacique, que diz ter 99 anos. "Era sonho nosso, era sonho dos produtores. Nós queremos manter a tradição, mas queremos uma vida melhor", disse Arrezoamae.

Segundo a Funai, será necessário instituir um novo modelo de uso e destinação da verba.

"São 2.000 índios e sempre há o risco de a verba se pulverizar. Mas, se bem empregado, esse dinheiro permitirá investir em obras e melhorar a educação e a saúde nas aldeias", afirmou Barros, da Funai.

O governador se declarou favorável ao pedágio. "Se os brancos cobram, porque o índio não pode cobrar? Eu sempre fui um dos defensores do pedágio. E todo mundo aqui entende que os índios são merecedores."

Fonte: Midias News

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